Passado...
O passado ressurgiu de maneira abrupta e arrebatadora. Em uma quarta-feira, que na verdade se estende desde segunda-feira na atmosfera festiva, mal parecendo eu mesma. Subitamente envolvida em um ímpeto de indulgência, entreguei-me a escapadas e noites agitadas, uma postura bastante distante da habitual tranquilidade que costumo buscar em casa.
Encontro-me atualmente em um estado peculiar. Hoje, mantive uma troca de mensagens com um indivíduo, enquanto simultaneamente participava de uma atividade social com outro. Permita-me esclarecer...
Na comunicação por mensagem, estive envolvida com alguém com quem desejo construir algo significativo, alguém que acredito ter potencial para um relacionamento duradouro. No entanto, essa pessoa revela-se peculiar, distante, incapaz de se divertir. Compreendo, sinceramente, pois reconheço que há momentos em que a diversão não é prioridade. Contudo, valorizo os intervalos em que posso desfrutar da companhia de amigos e me permitir desconectar. Infelizmente, o mesmo não se aplica a esse indivíduo, que parece incapaz de extravasar de forma ocasional.
De toda forma, tentei. Encontrei-me em uma balada, cercada por aqueles com os quais me divirto. Embora não planejasse permanecer por muito tempo, estava genuinamente desfrutando do momento. Contudo, é inevitável confrontar meu passado, marcado por relacionamentos e paixões intensas durante minha adolescência. Confesso ter agido de forma egoísta naquela época, sem considerar as consequências de meus atos.
Atualmente, esses relacionamentos evoluíram para amizades, mas os olhares intensos recaídos sobre mim, denotam resquícios do passado com os quais mantive relações mais estreitas, mesmo hoje, casados... Já sucumbi à tentação, traindo relacionamentos, mas, com o amadurecimento, optei por recusar tais impulsos. Sou agora amiga de um deles, sem malícia, sem admiração em relação a relacionamento, considerando com seriedade, sem coragem de reacender qualquer envolvimento.
Enquanto isso, em meio a uma troca de mensagens no celular, surgem convites e planos para um possível encontro. A conversa se encerra com um aparentemente casual "ahhhh".
Em relação ao segundo indivíduo, decidi encerrar esse capítulo há alguns anos. A falta de comprometimento da parte dele me levou a tomar essa decisão, mesmo diante de situações incômodas, como ser pressionada contra a parede enquanto a esposa estava presente no banheiro. Não cedi a tais tentações. Em nossos últimos encontros, ele, agora casado novamente, não demonstrou interesse em me seduzir, mantendo uma relação mais próxima de amizade.
No entanto, hoje, ao encontrá-los, ambos casados, percebo olhares intensos. Estou lá, tranquila, quando, de repente, a tentação se apresenta. Abraços, risos, despedidas intermináveis, olhares profundos. Por um triz, evito um possível desastre, desejando secretamente que o outro (da mensagem) intervenha e me resgate. Contudo, isso não acontece.
Após cinco minutos intensos, ganho uma carona, afastando-me antes que as coisas tomem um rumo indesejado. Estou carente, precisando, e os abraços, que um dia foram fontes de prazer momentâneo, agora parecem oferecer conforto e segurança. O primeiro amor ressurge em minha mente, aquele por quem abria mão de qualquer outro. Um relacionamento não assumido, mas construído ao longo de mais de 30 anos, revela-se como uma parceria peculiar, porém, notavelmente robusta.
Não tenho certeza se nutro admiração por ele após tantos anos, mas o abraço... Esse abraço, no qual desejava envolver-me, perder-me... Um gesto que transmite carinho, uma ternura acumulada ao longo de mais de 30 anos... Um abraço que fala, que segura, que ampara. Um abraço no qual desejava encontrar segurança, queria que me sustentasse... Queria entregar-me sem pensar, como antes, sem considerar nada nem ninguém, perdendo-me no prazer momentâneo de sentir segurança, mesmo consciente de que ali não é seguro, pois ele é casado, e a segurança desaparecerá depois, é apenas um momento.
Desconheço seus pensamentos, suas opiniões, e seus sentimentos. Parti quase correndo, fugindo... escapando de mim mesma, do meu eu primitivo, porque acredito que tenho um propósito de encontrar alguém, um companheiro. Já decidi que se continuar cedendo a prazeres momentâneos, jamais construirei algo concreto para o futuro. Fui forçada a conter meu eu primitivo...
E mais uma vez, não discutimos sobre isso... Mais uma vez, tudo permanece no ar, suspenso... A sensação que experimento é que não sabemos expressar nossas emoções... não enfrentamos isso. Parece que ambos desejam, mas ao mesmo tempo evitam enfrentar a situação... têm medo de quebrar o encanto da adolescência, aquele amor carinhoso, porém carnal. Medo de que não haja admiração suficiente, de que não sejamos mais quem éramos na adolescência... de que não seja como era antes, mas também medo do que pode ser agora... talvez medo da decepção, receio de que o presente seja decepcionante com base no passado...
Mas o carinho está presente... o toque permanece... o olhar persiste... Agora, aqui, escrevendo estas palavras, lágrimas escorrem dos meus olhos...
Porque sei que tomei a decisão certa ao me afastar... mas, ao mesmo tempo, dói... dói pensar em por que não deu certo, no que deu errado... e, sobretudo, por que ainda dói?