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Monday, October 9, 2023

Dormir, fumar e beber

Num período turbulento da vida dela, quando as sombras da tristeza se tornaram insuportáveis, ela encontrou conforto nas pequenas indulgências da vida. Dormir, fumar e beber - não necessariamente nessa ordem - tornaram-se seus companheiros constantes, oferecendo uma breve pausa nas preocupações do mundo. Durante três dias, ela mergulhou nesse ciclo vicioso, consumindo quase duas garrafas de vinho, entregando-se ao sono profundo e inalando a fumaça como se fosse sua única conexão com a sanidade.

As coisas estavam desmoronando ao seu redor, e ela ansiava por uma válvula de escape, qualquer coisa que pudesse aliviar o peso que carregava. Suas escolhas não eram nobres como "Comer, rezar e amar", mas sim, beber, fumar e dormir. Não era uma jornada espiritual ou uma busca por algo maior; era simplesmente uma tentativa desesperada de afundar ainda mais nas profundezas de seu próprio desespero.

O ato de dormir tornou-se sua fuga, uma maneira de evitar enfrentar os problemas que a assombravam. Fumar e beber, mesmo quando estava acordada, eram seus fiéis companheiros, proporcionando uma distração momentânea, uma muleta emocional para sustentá-la nos momentos mais difíceis. Freud chamaria isso de "sugar", uma maneira de encontrar consolo em algo que remonta a um passado distante, a uma falta que nunca foi completamente preenchida. Um cigarro, um gole de bebida - eram essas as âncoras que a seguravam quando tudo o mais parecia escapar por entre seus dedos.

Estranhamente, havia uma sensação de acolhimento nessas indulgências, algo que a envolvia quando mais precisava. Era o abraço familiar do vício, um conforto temporário que se tornava uma prisão silenciosa. Ela afundava cada vez mais no poço escuro de sua própria tristeza, esperando que, ao tocar o fundo, encontrasse a força para se impulsionar de volta à superfície. Era uma tentativa desesperada de esgotar toda a dor, na esperança de que, ao fazer isso, algo dentro dela pudesse finalmente melhorar.

No meio desse caos, apenas uma coisa permanecia constante - o amor. Surpreendentemente, encontrou apoio nos braços de um ente querido. Ele lhe deu espaço, não a julgou, permitindo que ela encontrasse seu próprio caminho através da escuridão. Quando percebeu que ela estava pronta, ele estendeu a mão e segurou a dela com firmeza, oferecendo uma promessa silenciosa de que, juntos, poderiam encontrar a luz no final do túnel. E assim, no meio da tempestade, um fio de esperança se entrelaçou em seu coração, dando-lhe a coragem de enfrentar o que quer que viesse pela frente.

Finalização de ciclos

 Hoje em análise, fiquei me questionando se por acaso quando termino algo, sou tão incisiva que não deixo margem para retornos... Voltei ao ...