Num período turbulento da vida dela, quando as sombras da tristeza se tornaram insuportáveis, ela encontrou conforto nas pequenas indulgências da vida. Dormir, fumar e beber - não necessariamente nessa ordem - tornaram-se seus companheiros constantes, oferecendo uma breve pausa nas preocupações do mundo. Durante três dias, ela mergulhou nesse ciclo vicioso, consumindo quase duas garrafas de vinho, entregando-se ao sono profundo e inalando a fumaça como se fosse sua única conexão com a sanidade.
As coisas estavam desmoronando ao seu redor, e ela ansiava por uma válvula de escape, qualquer coisa que pudesse aliviar o peso que carregava. Suas escolhas não eram nobres como "Comer, rezar e amar", mas sim, beber, fumar e dormir. Não era uma jornada espiritual ou uma busca por algo maior; era simplesmente uma tentativa desesperada de afundar ainda mais nas profundezas de seu próprio desespero.
O ato de dormir tornou-se sua fuga, uma maneira de evitar enfrentar os problemas que a assombravam. Fumar e beber, mesmo quando estava acordada, eram seus fiéis companheiros, proporcionando uma distração momentânea, uma muleta emocional para sustentá-la nos momentos mais difíceis. Freud chamaria isso de "sugar", uma maneira de encontrar consolo em algo que remonta a um passado distante, a uma falta que nunca foi completamente preenchida. Um cigarro, um gole de bebida - eram essas as âncoras que a seguravam quando tudo o mais parecia escapar por entre seus dedos.
Estranhamente, havia uma sensação de acolhimento nessas indulgências, algo que a envolvia quando mais precisava. Era o abraço familiar do vício, um conforto temporário que se tornava uma prisão silenciosa. Ela afundava cada vez mais no poço escuro de sua própria tristeza, esperando que, ao tocar o fundo, encontrasse a força para se impulsionar de volta à superfície. Era uma tentativa desesperada de esgotar toda a dor, na esperança de que, ao fazer isso, algo dentro dela pudesse finalmente melhorar.
No meio desse caos, apenas uma coisa permanecia constante - o amor. Surpreendentemente, encontrou apoio nos braços de um ente querido. Ele lhe deu espaço, não a julgou, permitindo que ela encontrasse seu próprio caminho através da escuridão. Quando percebeu que ela estava pronta, ele estendeu a mão e segurou a dela com firmeza, oferecendo uma promessa silenciosa de que, juntos, poderiam encontrar a luz no final do túnel. E assim, no meio da tempestade, um fio de esperança se entrelaçou em seu coração, dando-lhe a coragem de enfrentar o que quer que viesse pela frente.
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