Quando eu tinha 11/12 anos fiquei menstruada.
Foi a pior coisa que aconteceu pra mim. Na época, não tinha ideia do que isso significava, e minha mãe, foi bem negligente não me levando a um ginecologista. Não havia internet e só podíamos contar com conversas com amigos/as sobre os assuntos, então, quem sabia mais, contava pros que sabiam menos.
Sempre fui muito tímida, e nunca conversei sobre nada disso com as minhas amigas.
Eu odiava sangrar. Além daquela palhaçada que os pais faziam qdo isso acontecia, como um troféu vinha a frase: "Virou mocinha" e essa frase era repetida para toda família. Uma vergonha, eu já achava nojento sangrar, e de repente, todo mundo sabia. Não me entendia com os absorventes da época e acabava usando papel higiênico na calcinha, mas obviamente o papel não segurava o fluxo, e vira e mexe eu estava manchada ou minha cama e minhas roupas.
Muitas vezes eu dormia sentada pra tentar não me manchar. Aquilo pra mim era extremamente nojento.
Uns anos depois, me iniciei no sexo, mas ainda não tinha ido a um ginecologista e não sabia de absolutamente nada sobre o assunto.
Acabei engravidando, e escondi minha gravidez até o quinto mês. E foi só aí que fui em uma ginecologista, que sugeriu que eu era muito nova para ter um filho e disse que ela não interrompia gravidez, mas tinha um amigo que fazia e ela podia indicar. Na hora eu queria gritar que sim, mas ouvi minha mãe dizendo que o que ela estava falando era um absurdo e que eu iria ter o filho. Nem me perguntou o que eu queria na época. Mas esse não é o assunto hoje, vcs vão poder me julgar por isso uma outra hora, guardemos esse capítulo pra uma próxima... O importante aqui, é a primeira vez que fui ao ginecologista, e eu já estava grávida.
Enfim meu filho nasceu e no retorno ao ginecologista, pedi pílula anticoncepcional para que aquilo nunca mais acontecesse. Desde então, tomava pílula, até que a internet veio, os anos passaram e descobri o DIU mirena, que é a base de hormônio e fui ao ginecologista para colocar, mas era muito caro!!! Portanto, continuei com as pílulas. Naquela ocasião, já sabia que não queria engravidar de novo. Tinha um ciclo bem curto, e mesmo assim eu estendia as cartelas para não menstruar, achava completamente nojento. Nesta época, já tinha uns absorventes bem finos e eu já usava eles. Nunca gostei de usar absorventes internos, me sentia incomodada, talvez pq não soubesse colocar direito e tals, mas era assim que funcionava pra mim. E como era de costume, não tinha o hábito de ir ao ginecologista.
Nos tempo atuais, fala-se muito em sagrado feminino, honrar o feminino, tem um pessoal que usa a menstruação devolvendo-a a terra não sei pra que... Trabalhei muito na terapia, aceitando a maternidade que eu não queria minha feminilidade, mas nada extremo de "plantar luas" que é assim que chamam esse negócio de devolver o sangue pra terra.
Até que fiquei mais velha, fui numa consulta e acabei descobrindo que meu plano de saúde cobria colocar o DIU de graça, e assim fiz. Depois de 3 meses tendo escapes quase todo dia, dores nas costas e cólicas horríveis, porém passado esse tempo, não menstruo mais, o que foi incrível na minha vida: nada mais de sangue, nada mais de ficar com alergia dos absorventes (sim, esqueci de mencionar que eu tinha alergia aos absorventes, tanto internos - qdo aprendi a usar - qto externos).
Muita terapia depois, percebi que eu me masculinizei bastante por ter tido um filho homem e não ter um parceiro para fazer esse papel. Mas hoje já estou mais em paz com isso.
E absolutamente não vejo relação de odiar menstruar com não estar em paz com o meu feminino, já que eu detestei menstruar desde a primeira vez que isso aconteceu. Tb coloquei meu olhar sobre menstruar versus ter tido a experiência doida de ser mãe super nova, e descobri que realmente, foi um trauma, mas que não tem nada a ver com meu feminino.
Hoje, tento deixar de lado a masculinização que achei que seria importante para a criação do meu filho naquele momento e tento resgatar aquela menina, me feminilizando de novo e estou muito feliz. Não venho aqui romantizar o "sagrado feminino" e nem tenho vontade de discussões feministas, porém venho aqui para dizer que nós mulheres temos que aceitar quem somos, que temos papéis diferentes na sociedade e tudo se encaixa na perfeita ordem do universo!
Espero que tenham gostado do meu relato, e lembrem-se de buscar as respostas dentro de você, com (de preferência) ou sem ajuda de um psicólogo!!!
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