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Tuesday, December 5, 2023

Ele fala

Eu queria estar com ela... Já fazia tempo que a admirava, mas nunca achei que pudesse algum dia chegar perto daquela mulher. Eu até jogava alguns indiretas, mas jamais achei que ela fosse me dar atenção... Até que um dia aconteceu, e eu aproveitei, porém com muito receio. Não podia acreditar que ela estava aceitando, me aceitando. Tão patricinha, tão diferente de mim, em outro nível de pessoa e educação. Talvez eu me sentisse um pouco inferior a ela, com medo de que ela quisesse brincar comigo e me descartar.

Encontrei com ela um dia, num festival de rua. Naquele dia, fiquei meio sem jeito de agarrá-la, não quis me precipitar. Depois disso, conversamos bastante, mas ainda com receio de que ela quisesse brincar comigo. Já não queria mais quebrar a cara. E de novo nos encontramos, num festival na rua, mas não quis passar do limite com ela em público. Conversamos muito, tocamos aqui e ali, mas não a agarrei. De repente, ela me convidou para ir à sua casa. Nossa, não sabia o que pensar. Era um sonho realizado, mas me segurei, pois minha vontade era agarrá-la no elevador. Tive ali um autocontrole bem grande. Mas, de repente, nos beijamos. Caramba, tudo o que eu imaginei. Saí de lá me beliscando para ver se realmente não estava sonhando. De qualquer maneira, continuamos nos falando todos os dias, mas eu estava com vários problemas que não me deixavam aproveitar da melhor maneira possível.

Passei várias vezes na casa dela, conheci alguns dos seus amigos, mas continuava sem conseguir resolver meus problemas e não dando a atenção que ela queria. No começo, achei que daria conta, mas no fim, ela era tão intensa que acho que me assustei. Desse susto, veio um baque, ela me pergunta assim na lata se não estava entrando no meio de um relacionamento mal acabado. Disse que já tinha passado por várias coisas e queria saber onde estava se metendo. Não tive coragem de dizer que eu não queria nada além de sexo casual, até porque estava vivendo um sonho em estar com aquela mulher. Sabia que meu nível social era diferente do dela, e não sei se conseguiria me encaixar no seu círculo social, aliás, estava com medo de não me encaixar. Talvez nem eu soubesse o que queria. Mas me assustei com aquela pessoa segura, que fala na lata, que te põe na parede, que pergunta e quer saber. E na cama, completamente submissa.

Fui levando, mas ela começou a me cobrar para sair com seus amigos, passar na casa deles com ela, ou tomar sorvete, e eu travei. E o medo de não ter dinheiro para acompanhá-la? E o medo de não me encaixar no nível social do círculo de amizade dela? Confesso que não tentei. Fiquei com vergonha, pois as coisas que ela sugeria, mal conhecia. E ela tentou me forçar, usou algumas técnicas para tentar fazer eu ceder, mas travei.

Achei que ela ia ser compreensiva, mas me botou na parede de novo, confrontou-me com o que eu queria. Perguntou se eu só a queria para uma transa casual ou se havia possibilidade de um relacionamento futuro. Tentei fugir da resposta, mas ela é cabeça dura, me puxava a todo momento para que eu respondesse. Ela me perguntou tão sem medir palavras que me assustei de novo. Não queria perdê-la, mas também não tive coragem de jogar a real com ela, justamente ela que estava sendo super transparente comigo. Me odiei por isso e não consegui responder à pergunta simples que ela tinha me feito, dando uma resposta genérica.

Parecia que ela tinha engolido minha resposta e deixado passar batido. No entanto, alguns dias depois, ela me pergunta se estou bem. Achei que ela estava puxando conversa porque tinha aceitado minha resposta genérica. Agora, analisando a conversa, penso que ela queria saber se eu estava bem porque tinha tomado um pé na bunda. Continuei mandando mensagens para ela, devagar, e quando achei que ela estava tranquila, tentei sugerir um café. Tomei outra cacetada. Na lata, ela diz que não está me entendendo, porque ela já tinha dito que não íamos mais nos ver. Tentei dar uma esquivada, mas ela percebeu. Novamente, tentou fazer com que conversássemos para colocar na mesa o que cada um podia e queria dar para que o relacionamento fluísse. Caguei no pau, disse que queria paz. Que burro que fui. Ela ainda me pede para definir paz, e me enrolei de novo, continuando a não responder à pergunta dela. Ela só me mandou um "joinha" reagindo à minha mensagem, não respondendo.

Sabia que eu ia cagar tudo. Não aproveitei uma oportunidade que tive, por medo de perder, e por causa desse medo, não me permiti e perdi. Perdi porque, no dia seguinte, ela me mandou um áudio longo, carregado de sentimentos, onde me dizia que jamais teria paz num relacionamento enquanto não quiséssemos a mesma coisa. Que em qualquer cenário que ela via, ela se ferrava, e que talvez em um pudesse não se ferrar e se dar bem, mas que pela experiência dela, nem 10% de chance de acontecer. Ela tem razão. Me disse que se ela não pensasse nela, ninguém ia pensar. Como não era o que queria, realmente não podia me ver mais, pois iria se preservar. Para ser um relacionamento de transa ocasional, ela não queria. Até tinha tentado argumentar antes, que ela não tinha gostado de ficar comigo, mas tomei outra cacetada. Ela disse que adorou ficar comigo, mas que nesses termos que eu transpareci, ela não queria. Não consegui construir e falar o que eu queria. Podia ter perguntado sobre o que ela pensava de relacionamentos, mas não perguntei, travei.

E aí, eu achei que ela ia ser de boa, mas me colocou na parede de novo, confrontou-me com o que eu queria... Me perguntou se eu só a queria para uma transa casual ou se havia a possibilidade de um relacionamento futuro. Tentei fugir da resposta, mas ela é cabeça dura, puxava-me a todo momento para que eu respondesse. Ela me questionou de forma tão direta que me assustei novamente. Não queria perdê-la, mas também não tive coragem de ser honesto com ela, especialmente por ela estar sendo super transparente comigo. Me odiei por isso e não consegui dar uma resposta direta à pergunta simples que ela me fez, limitando-me a uma resposta genérica.

Achei que ela tivesse aceitado minha resposta e deixado passar batido... Apesar de ter mencionado que se fosse apenas uma relação casual, ela não estava disposta. Uns dias depois disso, ela me manda uma mensagem perguntando se eu estava bem. Eu pensei que ela estivesse puxando conversa porque tinha aceitado minha resposta genérica... Mas agora, ao analisar a conversa, percebo que ela queria saber se eu estava bem porque talvez tivesse decidido encerrar o relacionamento. Mesmo assim, continuei a interação: voltei a mandar mensagens para ela, devagar, e quando achei que ela estava mais tranquila, tentei jogar um verde, dizendo que ela não me chamava mais para um café... Cacete, tomei outra cacetada. Novamente, de forma direta, ela diz que não está me entendendo, pois já havia deixado claro que não nos veríamos mais. Tentei dar uma esquivada, mas ela percebeu com certeza... E novamente tentou nos fazer conversar, colocar na mesa o que cada um podia e queria oferecer para que o relacionamento fluísse. Mas, mais uma vez, caguei no pau, disse que queria paz... Que burro que fui... Ela ainda me pede para definir paz... e me enrolei novamente, continuando a não responder à pergunta dela. Ela apenas reagiu com um "joinha" à minha mensagem, sem dar uma resposta.

Sabia que eu ia cagar tudo... Não aproveitei uma oportunidade incrível que tive... Por medo de perder, e por causa desse medo, não me permiti e perdi... Perdi porque no dia seguinte de manhã, ela me mandou um áudio longo, carregado de sentimentos, onde dizia que jamais teria paz num relacionamento enquanto não quiséssemos a mesma coisa. E que em qualquer cenário que ela vislumbrava, ela se ferrava... E que talvez em um pudesse não se ferrar e se dar bem, mas que pela experiência dela, nem 10% de chance de acontecer. E cara, ela tem razão... Me disse que se ela não pensasse nela, ninguém pensaria. Como não era o que queria, realmente não podia me ver mais, pois iria se preservar. Para um relacionamento de transa ocasional, ela não queria. Mesmo tendo tentado argumentar antes que ela não tinha gostado de ficar comigo, tomei outra cacetada. Ela disse que adorou ficar comigo, mas que nos termos que eu transpareci, ela não queria... Mas caramba, não consegui expressar e falar o que eu queria. Poderia ter perguntado sobre o que ela pensava de relacionamentos, mas não perguntei, travei. Ela estava aberta à conversa, a ajustar as coisas, e eu caguei no pau, fiquei com medo. Pior que ela já tinha mostrado que não era do tipo daquelas loucas com as quais estou acostumado a sair... Não pegou no meu pé em momento nenhum, apesar das cobranças relevantes, e nem eram cobranças pesadas. Não xilicou nenhuma vez, não surtou. Falou comigo como uma lady. No fim, acho que ela merece algo melhor que eu. Alguém que se encaixe melhor no mundo dela. Pensando agora, nem dei chance de eu me mostrar e deixar ela decidir se eu me encaixava ou não. E de repente, até tentar aprender a me encaixar, subir de nível, mas fui burro. Respondi ao áudio dela, mas ela de novo não me respondeu e apenas reagiu com um "joinha" à minha resposta. E eu fiquei mal... Porque, no fundo, queria que ela viesse atrás de mim, mas sei que ela me deu várias chances para me mostrar, para participar, para falar, e eu não usei nenhuma dessas chances. Não quero que ela fique com raiva de mim, quero ser amigo dela, mas não sei se vou ter chance e se ela ainda vai me considerar. Estou puto comigo mesmo, perdi uma chance incrível. Não sei se um dia na vida terei outra chance dessa. Espero realmente que ela me perdoe...

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